REFLEXÕES
Para que se dá aulas de Português a falantes nativos de Português? - I
Logo que me foi questionado sobre o “para que se aulas de português a falantes nativos de português”, achei bastante relevante analisar esta questão, já que durante toda a minha vida discente e docente nunca havia parado para pensar sobre esta questão, parecendo –nos que o ato de se ensinar uma língua para seus falantes nativos seja algo preestabelecido e indiscutível.
Mas já que a situação não é tão simples, coloquemo-la em questão. Para que ensinar português a alguém que já sabe falar português? Não seria para lhe possibilitar uma melhor comunicação? Mas será que este alguém não sabe se comunicar? Seus interlocutores não o compreende?
Desde o nascimento a criança internaliza as primeiras palavras ditas pelas pessoas que o cerca, e nos seus primeiros anos de vida começa a pronunciar palavras que foram internalizadas ao longo do processo de socialização. Por volta dos cinco anos de idade, a criança já faz uso de um vasto vocabulário da sua língua nativa, no nosso caso, a língua portuguesa. No entanto, antes até mesmo de completar os três anos de idade ( na sociedade atual) muitas crianças ingressam-se na escola para aprender sobretudo, a ler e a escrever. Elas necessitam compreender um código de sinais que lhes possibilitarão fazerem uso não somente da linguagem oral, mas também da linguagem escrita.
Esta é uma exigência imposta pela sociedade, pois fazendo uso simplesmente da linguagem coloquial adquirida no seu meio social e utilizando-a somente oralmente, o indivíduo ficará a margem da sociedade, pois com a invenção da escrita, o sujeito necessita apreendê-la para poder compreender melhor o mundo em que vive. Isto porque, a sociedade exige pessoas que não apenas façam uso de uma língua, mas que sejam capazes de refletir sobre o uso que é feito com a linguagem e sobre a linguagem. Desta forma, pretende-se formar cidadãos capazes de criticar o uso e função da sua língua nativa nas mais variadas formas de comunicação.
À escola, cabe-lhe o papel de propiciar aos falantes nativos da língua portuguesa, compreendei-la e empregá-la de forma adequada nas mais variadas situações da vida.
No entanto, o que se percebe é que este papel imposto à escola está muito aquém das necessidades dos nossos educandos. A concepção de linguagem apreendida e consequentemente praticada pela maioria dos professores, não vem possibilitando uma compreensão significativa do estudo da língua portuguesa, pois apenas impõem uma infinidade de regras gramaticais para que os alunos absorvam, deixando de lado o real significado de se estudar a língua portuguesa. Talvez seja por isso que a maioria dos discentes e docentes nunca se questionaram “Para que de se estudar uma língua a qual aprendemos desde os nossos primeiros anos de vida”.
O ensino da Língua Portuguesa é de fundamental importância para seus falantes nativos, já que a língua exerce um importante papel sobre os indivíduos, seja de alienação, dominação, libertação ,etc. Portanto, cabe à escola , e mais especificamente ao professor, reesignificar o ensino da Língua Portuguesa, tornando-a em um canal de compreensão de mundo.
XAVIER, Marlene Moreira, graduada em Pedagogia, UESB, Jequié-Ba, Pós-graduada em Política do Planejamento Pedagógico: Currículo, Didática e Avaliação – UNEB.
Para que se dá aulas de Português a falantes nativos de Português? - II
Logo que me foi questionado sobre o “ Para que se dá aula de português a falantes nativos de português”, achei bastante relevante analisar esta questão, já que durante todo a minha vida discente e docente nunca havia parado para pensar sobre esta questão, parecendo-nos que o ato de se ensinar uma língua para seus falantes seja algo preestabelecido e indiscutível.
Tudo parte de uma visão eurocêntrica da sociedade brasileira, a qual foi moldada segundo os princípios portugueses, e que desde a sua mais tenra história vem sofrendo as conseqüências de uma sociedade dominada por estrangeiros, e aqui vale ressaltar o papel “língua” como agente de dominação. Quando os portugueses aqui chegaram, impuseram a sua cultura, desrespeitaram a língua nativa e encarregaram-se de ensinar aos povos colonizados a Língua Portuguesa.
Desde este momento, já se deveria ser questionado o ensino da Língua Portuguesa, mas nada foi feito, e com o passar do tempo foram surgindo diferentes dialetos dentro de uma mesma nação, diversificando-se cada vez mais a forma de se falar determinadas palavras em diferentes regiões do Brasil, e fazendo com que muitos brasileiros se confundissem na hora da busca correta de se falar ou escrever uma palavra da sua própria língua.
O que se percebe ao longo da história do Brasil, é que a Língua imposta sempre agiu como instrumento de dominação, e ainda hoje a realidade não é diferente. A escola faz o papel de agente mediadora entre os interesses da classe dominante e a classe dominada da nossa sociedade, perpassando a idéia de que todos os brasileiros precisam aprender a norma culta da Língua Portuguesa, isto é, apenas a “idéia” ou “ideologia”, porque na pratica, a forma como a escola diz está ensinando esta norma culta de linguagem, principalmente para as classes mais pobres da população, não são forma eficazes para o aprendizado, já que, as concepções de linguagem adotadas no processo ensino - aprendizagem, apenas reproduzem sujeitos não críticos, incapazes até mesmo de irem contra este sistema imposto pela classe dominante.
E nesse desenrolar do processo do ensino da Língua Portuguesa, a escola se encarrega de aumentar cada vez mais a desigualdades sociais, pois a classe dominante da nossa sociedade, os formadores de opinião e que definem as regras sociais, não tem interesse em formar sujeitos capazes de analisar adequadamente o uso e função desta língua, que é empregada nas mais variadas formas de comunicação. Por isto, a escola do pobre é bastante diferente da escola do rico, a começar pela formação do professor, os quais em sua maioria não sabem o “porquê” de se está ensinando Língua portuguesa.
Voltando à questão que me foi feita no inicio do texto, creio que o fato de sermos falante nativo de uma língua não nos impede de estudarmos e ensinarmos sobre essa língua, mas o que deveria está em questão é “como ensinar”, ou trocando o verbo, “desenvolver” os conhecimentos que envolva os usos e finalidades desta língua entre os seus falantes.
O que a escola brasileira necessita, e mais especificamente o ensino da Língua Portuguesa, já que este é o assunto em questão, são de profissionais esclarecidos, críticos, e que tenha em mente uma concepção de linguagem que vise a interação entre os sujeitos, e que na prática seja capaz de dá os seus primeiros passos em busca de uma sociedade mais justa, fazendo do ensino da Língua Portuguesa uma das chaves capaz de destrancar as correntes que durante séculos vêm impossibilitando a formação de cidadãos críticos e conhecedores da realidade em que vive.
XAVIER, Marlene Moreira, graduada em Pedagogia, UESB, Jequié-Ba, Pós-graduada em Política do Planejamento Pedagógico: Currículo, didática e avaliação – UNEB.
Qual a sua opinião sobre a questão levantada nestes dois textos? O que você concorda? O que discorda e por quê?
